Não, o título deste post não é uma ironia.
Hoje eu estava cheia de coisas para fazer, devendo listas de exercícios no mestrado, enfim, meu dia estava um caos. E eu não estava em um humor muito gentil.
É o tipo de humor que pode desencadear, por exemplo, brigas de trânsito. Ou, tão ruim quanto, um acidente. E quase aconteceu um comigo, graças ao meu excesso de preocupação com meus problemas e à minha falta de atenção ao que me rodeava,
Estava de bicicleta (grande novidade...), passando por um cruzamento, e ignorei solenemente uma placa hexagonal vermelha com um PARE bem grande escrito em branco. O que me salvou foi que eu olhei para a direita, e que a motorista do carro que vinha em minha direção estava MUITO atenta. Foi por isso que a coisa terminou sem grandes consequências,
Eu disse "terminou"? E vocês acreditaram? Não, não terminou. Quando voltei à universidade, eis que uma professora se aproxima e diz "moça, eu hoje quase atropelei você". E eu, com cara de ponto de interrogação, perguntei "quando?". Ela me falou o lugar onde aconteceu: era justamente o tal cruzamento, era ela a motorista!
Pedi desculpas a ela e agradeci pela gentileza e atenção de ter parado, porque eu é que estava errada. E disse também que ficava feliz por ela ter me falado, porque é raro que quem errou no trânsito tenha a chance (ou mesmo a vontade) de pedir desculpas por um erro assim.
É de estranhar que meu humor tenha mudado depois dessa conversa?
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quarta-feira, abril 27, 2011
sábado, março 12, 2011
Intocáveis? Ah, Barbara...
Acabo de ler este texto de Barbara Gancia, e confesso que fiquei triste. Gosto dela, sempre lia com gosto seus textos, suas histórias do cãozinho Pacheco Pafúncio, entre muitos outros "causos" que ela conta.
Porém, o texto do link me decepcionou. Pelo fato de que ela, talvez por desconhecimento, acredita que as pessoas têm que escolher veementemente um meio de transporte (e que este seja o único que usarão para todo o sempre!). Pelo fato de que ela acredita que quem usa bicicleta quer impor este meio de transporte para todos. E pelo fato de ela achar que as bicicletas deveriam ser banidas do Brasil porque, afinal, não estamos em Amsterdã ou Copenhague.
O que vou contar aqui é a minha experiência como ciclista, puramente pessoal. Eu me alterno, até o momento, entre duas cidades: São José dos Campos (São Paulo, cidade grande, etc), onde ando a pé ou de ônibus; e Itajubá (Minas Gerais, ou "roça", como dizem os maldosos), onde ando a pé ou de bicicleta (ou de taxi, quando estou com malas).
Eis aqui o meio de transporte que uso em Itajubá:
Atualmente a Rosinha está um pouco diferente: ela agora tem lanterna, sinalizador traseiro, além de uma garupeira onde quero apoiar um alforje para carregar meus livros e cadernos. E, sim, sempre que eu ando nela, uso capacete (rosa, combinando com a bicicleta).
Já me aconteceu até de usar vestido tubinho e salto alto para ir a uma reunião, e ir na Rosinha. Sim, pedalo de salto alto, por que não?
Mas este não é o ponto central deste texto. O que eu quero dizer é que sou tremendamente respeitada quando estou em cima da bicicleta. Sou a garota para quem pedem informação na rua. Sou a garota que para a bicicleta na praça para tomar um café e é automaticamente reconhecida pelos funcionários do café em questão (entre eu descer da bicicleta e chegar ao café, meu pedido já está pronto). Sou a pessoa que é ajudada nos cruzamentos, pelos motoristas.
Ou seja, sou a sortuda que mora numa cidade onde as pessoas se respeitam. Claro, existem exceções. Já aconteceu de um moleque ver minha bicicleta estacionada na calçada e derrubá-la, só para se exibir. Já me aconteceu de ser fechada por motocilistas, e até por caminhões (este episódio foi perigoso, eu estava na estrada, indo de Itajubá para outra cidade).
Mas no geral, até pelo uso do capacete e pelo fato de que eu sempre sinalizo o que vou fazer (seja uma curva, seja entrar diante de um carro), eu sempre sou respeitada no trânsito.
Então, digo às pessoas nas grandes cidades (em especial à Barbara Gancia) que o problema não está nos carros, ou nas vias impróprias para bicicletas. O problema está no individualismo que é tão comum nas cidades grandes.
Acho que o problema todo está em pessoas que acham que o mundo gira em torno de si próprias. Nas cidades européias onde a bicicleta é comum (mesmo em Paris, não existem "vias apropriadas para bicicletas", e o Velib é largamente utilizado - pesquise, Barbara!), o que existe é consciência do coletivo.
É isso que em cidades como São Paulo (ou Porto Alegre!), a população precisa aprender a cultivar!
Porém, o texto do link me decepcionou. Pelo fato de que ela, talvez por desconhecimento, acredita que as pessoas têm que escolher veementemente um meio de transporte (e que este seja o único que usarão para todo o sempre!). Pelo fato de que ela acredita que quem usa bicicleta quer impor este meio de transporte para todos. E pelo fato de ela achar que as bicicletas deveriam ser banidas do Brasil porque, afinal, não estamos em Amsterdã ou Copenhague.
O que vou contar aqui é a minha experiência como ciclista, puramente pessoal. Eu me alterno, até o momento, entre duas cidades: São José dos Campos (São Paulo, cidade grande, etc), onde ando a pé ou de ônibus; e Itajubá (Minas Gerais, ou "roça", como dizem os maldosos), onde ando a pé ou de bicicleta (ou de taxi, quando estou com malas).
Eis aqui o meio de transporte que uso em Itajubá:
| Rosinha, no estacionamento do IEM-UNIFEI (Itajubá, Minas Gerais) |
Já me aconteceu até de usar vestido tubinho e salto alto para ir a uma reunião, e ir na Rosinha. Sim, pedalo de salto alto, por que não?
Mas este não é o ponto central deste texto. O que eu quero dizer é que sou tremendamente respeitada quando estou em cima da bicicleta. Sou a garota para quem pedem informação na rua. Sou a garota que para a bicicleta na praça para tomar um café e é automaticamente reconhecida pelos funcionários do café em questão (entre eu descer da bicicleta e chegar ao café, meu pedido já está pronto). Sou a pessoa que é ajudada nos cruzamentos, pelos motoristas.
Ou seja, sou a sortuda que mora numa cidade onde as pessoas se respeitam. Claro, existem exceções. Já aconteceu de um moleque ver minha bicicleta estacionada na calçada e derrubá-la, só para se exibir. Já me aconteceu de ser fechada por motocilistas, e até por caminhões (este episódio foi perigoso, eu estava na estrada, indo de Itajubá para outra cidade).
Mas no geral, até pelo uso do capacete e pelo fato de que eu sempre sinalizo o que vou fazer (seja uma curva, seja entrar diante de um carro), eu sempre sou respeitada no trânsito.
Então, digo às pessoas nas grandes cidades (em especial à Barbara Gancia) que o problema não está nos carros, ou nas vias impróprias para bicicletas. O problema está no individualismo que é tão comum nas cidades grandes.
Acho que o problema todo está em pessoas que acham que o mundo gira em torno de si próprias. Nas cidades européias onde a bicicleta é comum (mesmo em Paris, não existem "vias apropriadas para bicicletas", e o Velib é largamente utilizado - pesquise, Barbara!), o que existe é consciência do coletivo.
É isso que em cidades como São Paulo (ou Porto Alegre!), a população precisa aprender a cultivar!
quarta-feira, novembro 03, 2010
#vadebike Momento "Spread the love"
Hoje eu estava voltando de bicicleta de uma rápida ida à rodoviária (onde tinha ido comprar minha passagem de volta para S. José dos Campos). Descia um pequeno morro, quando vi um carro parado na esquina, aguardando para prosseguir.
Não sei o motivo, mas ao ver que era um jovem soldado, com direito a roupa camuflada, no volante, imaginei que talvez ele estivesse com pressa para voltar ao Batalhão. Parei. Ele queria me dar passagem, eu cedi a passagem a ele. Porém, vinham três carros descendo rápido, e fiz sinal para que ele esperasse, e avisei quando não vinha mais nenhum carro na descida.
O que ganhei com isso? Três sorrisos: o do rapaz a quem cedi a passagem, e os sorrisos do casal que vinha no carro de trás. Aliás, o motorista desse segundo carro me cedeu a passagem.
Espero que essa pequena troca de gentilezas tenha sido tão benéfica aos outros quanto foi para mim. Cheguei bastante sorridente à Universidade.
Não sei o motivo, mas ao ver que era um jovem soldado, com direito a roupa camuflada, no volante, imaginei que talvez ele estivesse com pressa para voltar ao Batalhão. Parei. Ele queria me dar passagem, eu cedi a passagem a ele. Porém, vinham três carros descendo rápido, e fiz sinal para que ele esperasse, e avisei quando não vinha mais nenhum carro na descida.
O que ganhei com isso? Três sorrisos: o do rapaz a quem cedi a passagem, e os sorrisos do casal que vinha no carro de trás. Aliás, o motorista desse segundo carro me cedeu a passagem.
Espero que essa pequena troca de gentilezas tenha sido tão benéfica aos outros quanto foi para mim. Cheguei bastante sorridente à Universidade.
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